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Segunda-feira, Abril 24, 2006
A multidão afoita celebra o irracível, enquanto no mutismo da observação, celebro teus gestos e tua marcante indiferença. Passam minutos, dias e horas, tua presença constrói o meu tempo, e tua indiferença o corrói como fogo. Resultado de uma labareda constante, de uma paixão repentina e inflamável, a vida corre como um sonho cuja saudade são teus lábios. Pela manhã passa por mim como uma sombra, e o maior remorso é esse teu passar, indiferente, e o meu estar inerte, embasbacado, desarmado, apaixonado. Percebo tua ansiedade latente, os pés irrequietos, os olhares sem arrimo e sem destino, quando gesticula ao falar, e o céu da tua boca me inspira o mais saboroso e delicados dos beijos. Tudo em ti parece tão lindo e tão distante! Como uma prece ofertada para o intangível, contemplo do chão tua forma e contida imensidão de nuvem, com tuas formas simples, tua estatura mediana, e perfeição misteriosa, na expressão dos olhos o mistério ainda mais distante das estrelas. Como um ser parado numa estação, esperando uma partida, tua presença nunca passa nesse céu imutável, encerrado no meu coração... Quem sabe talvez já te ame.
Escrito por Benefactor às
8:25 AM
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Segunda-feira, Abril 03, 2006
Observando um céu sem brancas nuvens
Perco-me pensando na amplitude da imensidão
Há uma meia lua que me cerca, e outra que me foge
Vaziamente imperceptível
Talvez às minhas costas esteja o meu começo
E também o meu fim
Na conjugação esférica o céu sorri por inteiro
Enquanto só enxergo uma mínima parcela
Daquilo que me é oculto.
Cerro a vista abismado, e calado me descubro:
No espelho dos meus olhos vejo uma criatura inscontruída
Contemplando uma criatura inacabada.
Escrito por Benefactor às
11:36 PM
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