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Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Em plena luz do dia, quando a coroa dourada e ardente retornava de suas viagens
Uma sombra multiforme e sicária
Apareceu-me destemida e segura
Blasfemando e distorcendo a beleza e harmonia da Criação.
Tomava a forma dos meus medos, dissabores e imperfeições
Como que contendo em sua qualidade de sombra
Todas as gárgulas e féretros dos mais funestos cemitérios.
Frente ao descalabro da distorção, do feio
Sentei-me ao chão e simplesmente chorei
O pranto nessas horas é a única ação legítima
Que deflagra insatisfeito o coração
Ao frio e à morte da sombra.
Chorei frente ao dilaceramento do amor
No esfacelamento do sagrado sentido da maternidade
Na corrupção do que deveria ser amizade
No absurdo do desmensurável e irracível apego à materialidade
À louca ciência do particular
Que inconstante lança mão de todas as causas subjetivas e racionais
Por uma existência de efeitos e acúmulos irracionais daquilo que só pertence à si mesmo
Calcinando o que há de mais divino no ser humano.
Observando a mão repleta
Vi que havia luz cristalina entre as lágrimas
Fitei novamente o Sol que ardia majestade
E percebi a tríade que envolvia toda a trama da humanidade:
LUZ
HOMEM
TREVAS...
Personifiquei, embora de maneira imperfeita
A retidão e constância daquela luz.
A natureza da sombra era sua ausência
E todo o mal uma triste ilusão de nossa imperfeita compreensão.
Lembrei das pessoas que, aos milhares
Buscam nas pílulas e nas terapias
Na fortuna, no reconhecimento social das tolices, na beleza dos objetos, nas pândegas alcóolicas
E, pasmem, nos pensamentos medíocres, no ódio, na inveja, na sede beligerante, a felicidade e a realização.
Fatores estes que só existem na condição de sombra, em formas distorcidas, horrendas, ignorantes.
O mundo intuitivamente conhece sua solução, nega a verdade como se fosse a própria morte
E sua busca, perdida desde sempre, é viver a mentira dentro da verdade
Gerando sombras dentro das sombras, em círculos abismáticos de graus de estupidez.
Um objeto nunca sorrirá dentro do coração humano
Nem uma tolice devidamente partilhada e considerada
Tampouco um trabalho excessivo, desgostoso, massante, consumidor de toda uma existência
O homem perdeu-se em sua selva de pedra, em seus temores, em sua selvageria
Na criação de um mundo paralelo à realidade Divina, consome-se no sofrimento
Dia após dia, rotina após rotina, em seus estereótipos de conduta, em suas filosofias particulares.
O Sol, uno e indivisível
Serve a todos com a mesma força
Nada busca para si, por compreender o todo
Não cultua religiões
Não alimenta guerras, mediocridades, ou hipocrisias
Não se curva nem nivela frente à ações distintas de sua natureza única.
Seus sinceros cultores, afastando as sombras, são os únicos candidatos à felicidade plena
E os verdadeiros eleitos de Javé.
Escrito por Benefactor às
3:28 PM
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